Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Poemas da Minha Terra - Publicação Final


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"Poesia em Rede".
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Domingo, 2 de Março de 2008

(87) Portugalidade

Portugalidade

 

Pelo Norte com Chaves abri,

Lugares vivos e boas gentes

De tempo frio e Homens quentes

A outra invicta havia ali.

Para sul, vendo, olhando, rumei,

Bebi vinho, iguarias comi,

Paisagens lindas e praias eu vi,

Belas montanhas de neve amei.

De saber, cheguei à cidade

De doutos e outros senhores

Bom português, fado e amores

Encantos de vida na verdade.

Sete colinas são as tuas,

És grande, pelo Tejo banhada

Bela, és por todos amada

Na luz que ilumina as ruas.

Planícies de perder o fim,

Chaparros, searas de trigo,

Gaiatos a brincar no milho,

É o quadro mais belo p’ra mim.

Algarve de sol e do mar azul

Dos ingleses e laranja doce

É agora, como se fosse

O nosso outro reino ao sul

 

Na verdade não há ideal,

A minha terra é Portugal!

 

Mário L. Soares
publicado por poesiaemrede às 01:26
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(86) Na Minha Terra

Na minha terra

 

 

A terra… Preta, preta, preta…

O verde… Come-se…

Os pássaros… Um azul quente…

Os Velhotes… Os suores…

A transpiração… As rugas…

Círculos… Vidas…

Os Avós… Os Netos…

Os Netos… Os filhos dos Netos…

O lugar… A aldeia…

O respeito… A simplicidade…

Os actos… A verdade…

Sem preços… A honestidade…

Na minha terra…

É assim,

Na minha terra…

 

Migos Môr

publicado por poesiaemrede às 01:22
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Sábado, 1 de Março de 2008

(85) Cidade do Porto

Cidade do Porto

 

As tuas iniciais,

São nome de Portugal.

São cinco letras reais,

Pois tu és original!

 

Tenho gosto e vaidade

Por ter nascido no porto.

Sou desta linda cidade

Tripeiro vivo ou morto.

 

Sou deste porto velhinho

Do rio douro vaidoso.

Também és nome do vinho

Que no mundo é famoso.

 

Do caloroso São João,

Do trinta e um de Janeiro

E das tripas com feijão,

Deste porto hospitaleiro.

 

E da velhinha ribeira

Do mercado do bolhão!

É esta cidade tripeira

Que trago no coração.

 

És minha cidade

Do norte de Portugal,

Terra de Liberdade

Sempre nobre e Leal.       

 

 

 

 Pedro Augusto

publicado por poesiaemrede às 03:05
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(84) A Minha Casa

A minha casa
É toda a casa
Uma casa no mundo
Que não pára nem por segundo

Terra com tantos extremos
Tanta alegria e pobreza
Tanta dor e riqueza
É desolação..

Que mundo inconsciente
É o que nos rodeia
Que nos mostra felicidade
No meio de mar tão ardente

Mas que mar esse?
Tão enfermo, tão iludido..
Tão endurecedor o ouvir da badalada
E o tempo a passar..
É nada!

Ele passa, passa..
É real, é imaginário..
Mas que sonho tão precário
Este mundo ao contrário

É uma terra desmedida
Sem paz ou qualquer raiz
Uma vontade esquecida
De sair e ser feliz..

Daniela Borges
publicado por poesiaemrede às 03:01
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(83) Minha Terra

Minha Terra

 

Em minha terra me sinto tão acolhida e integrada,

que às vezes me faltam olhos críticos

ou de justo encantamento

- a ela não pareço estar suficientemente atenta .

Se viajo, outras seguram o meu olhar curioso,

predisposto a delas gostar

- há quase sempre a intenção de voltar.

Mas é à minha terra que sempre retorno,

bendizendo o meu lugar no mundo,

aquele que reconheço como pátria

e me reconhece como filha.

 

Terra minha,

não apenas um espaço físico,

mas um conjunto de sentimentos,

modos de ser, posturas,

que definem sua alma,

nossa alma brasileira...

 

  Cecília Quadros

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(82) A Minha Terra

A minha Terra
 
Uma terra maravilhosa
com alegria para dar e vender.
Estão sempre de braços abertos
para ouvir os desabafos de quem sofrer
por amor ou desgostos
de viver!
 
As couves e batatas,
tudo do melhor
mas o que me admira
são as pessoas, sem dor.
 
Porque mesmo com bons ou maus momentos
estão sempre ali,
para apoiar quem precisa.
 
E assim todos juntos,
vivemos felizes,
apoiando uns e outros
sem criar defuntos.

Rita Santos
publicado por poesiaemrede às 02:57
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(81) A Minha Terra

A minha Terra
 
 
Uma terra sem fim,
de amor e alegria!
 
Os velhotes como alguns lhe chamam
não têm nada a perder,
desde que estejam ao pé da familia
não hão-de sofrer.
 
Um sorriso de um idoso,
é uma flor a nascer,
de como é,
no fim de crescer.
 
Porque uma terra,
sem familia,
não é terra
porque para ter alegria
é preciso saber,
como é que se ajuda uma pétola a florescer!

 

Anónimo
publicado por poesiaemrede às 02:47
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(80) Do Alto da Serra Algarvia

Do alto da serra algarvia

Vislumbro um magnífico esplendor.

Sente-se uma suave melodia

Inspiração única para qualquer escritor

A essência pura do rio que chega ao mar!

 

Aqui, onde a água salgada beija a areia

E a natureza continua virgem

Relembrando as batalhas do passado.

 

No ar… o cheiro das flores

O esvoaçar de um bando de pardais

E o sorriso da lua ao sol.

 

Vê-se o dia a terminar…

A praia espreita o horizonte,

Os barcos regressam ao lar,

Ouve-se o correr da fonte,

E o crepúsculo apresenta-se mais uma vez formoso!

 

_____________________________________________________

 

Vânia N.

publicado por poesiaemrede às 02:44
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(79) Onde Penduro o Chapéu

Onde penduro o chapéu

 

Passei por muitos arvoredos,

Pinhais, montes, cidades e vilas,

Colinas, lagos, prédios e ruínas,

Beleza sem fim e horríveis penedos

 

Andei por planícies e montanhas,

Caminhei por vales e estreitos,

Toquei casas e apartamentos,

Imensas vivendas estranhas

 

Vivi em barracas e mansões,

Comi do pior, também do melhor,

Topónimos todos, não sei de cor,

Vi lugares de luz e escuridões

 

Seja a sarjeta ou um céu

Seja na praia ou na serra

Na verdade a minha terra

É onde penduro o chapéu

 

António Romano

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(78) Minha Terra, Aldeia Febril

Minha Terra, Aldeia Febril

 

A febre é sintomática

De cruel flagelo servil

Sua ferida enigmática

Inflama em chamas corpo febril

Num disfarce de calor

Um pedido de socorro

Um apelo espacial

Ecoa no universo seu clamor!

 

Forte rubor denuncia

Aumento da temperatura

Perigo prenuncia

O berço vira estufa

Arde em seu corpo queimadas,

Lágrimas vertem geladas

E, o vento enfurecido

Joga o berço ao rochedo

Estremece o adormecido!

 

Rompe-se a renda do véu

Berço exposto

Impedida de contemplar o céu

Esconde entre as mãos, o rosto

A luz que o berço ilumina

Também fere,

Queima as faces da menina

Febril geme tristonha,

Minha aldeia pequenina!

 

Gelcí

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Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

(77) Coimbra

Coimbra
 
Em ti,
Cidade cantada das cidades,
O sonho não tem fim,
A saudade não tem início,
A morte não tem lugar.
Em ti,
Cidade da juventude eterna,
Dos segredos sussurrados pelas ruas,
Do pôr do sol, do nascer das luas,
Das visões, dos projectos, das promessas,
A morte não tem lugar.
Em ti,
Poesia clara da verdade,
Tradição pura e presente,
O coração bate mais do que a idade,
E a emoção estala, toda, num repente.
Porque em ti,
Cidade amor,
A morte não tem lugar.
Em ti,
Por ruas antiquíssimas e solenes,
O peso da humanidade, com a leveza duma brisa de verão,
Acompanha os meus passos,
E diz-me que em ti
A morte não tem lugar.
Porque em ti, só em ti,
A vida és tu, e tu não morres,
Nem hoje, nem nunca,
Por seres, o que és,
Coimbra.

 
André Vilhena
 

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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

(76) Daqui Eu Vejo

Daqui eu vejo

 

Deste chão

Desta semente imune à ira da tempestade

Eu nasço

E de mim a terra

Aqui eu me fiz aqui me faço

E aqui o que quer que eu faça

É nulo esforço nulo de verdade

Para impedir o sol de brilhar

Onde quer que ele nasça

Neste Olimpo sem pagãos

Nem tempo para perder ou ganhar

Aguardo e observo

O ritmo absurdo e irregular das coisas

Dessas dependentes autonomizadas tribos

Que se atropelam em forças e esforços

Para sobreviver

Esgotam-me e esgotam-se

No que têm de pior para dar

Melhor seria voltar ao início

Daquele chão

Daquela semente imune à ira

Fazer de novo

A minha terra

Luís Fernandes
publicado por poesiaemrede às 23:58
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(75) Numa Aldeia Adormecida...

Numa aldeia adormecida…

 

Numa aldeia adormecida,

Em dia de tempestade,

A Senhora na Azinheira pousou,

Às três Crianças falou.

 

A sua dor ao Mundo partilhou,

Ao fim da guerra suplicou.

Sobre a aldeia de Fátima,

O sol bailou e a esperança pousou.

 

O povo gritou,

 Mergulhado na miséria,

Suplicio de dor,

Num País ditador.

 

Sobre a Terra de Fátima,

A Senhora o Mundo abençoou,

Com seu Amor de Mãe,

Da guerra nos salvou.

 

Fátima Terra de Fé,

 Arrastas multidões,

Em tantas gerações,

Iluminadas pelas suas orações.

 

Fátima Terra de Fé,

Pequena aldeia adormecida,

Que agora não é esquecida,

Unes nações e abraças as religiões.

 

 

Ana Guedes

 

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(74) Não me alcunhei de Coimbra

Não me alcunhei de Coimbra


Ó Augusto, Augusto...
Olha o que fazes de ti,
Sempre a gabar Portugal
E alcunhas-te yodleri?

Que raio de coisa é essa?
Podias usar Coimbra,
Que é tua terra natal,
E por sinal é tão linda!...

Ou Fado, Fado é bonito!
Ou Mondego, ou Choupal.
Chanfana dum bom cabrito,
Ou batatas em água e sal!

Outra alcunha bestial:
Grelos, ai verdes grelos;
Rancho ou feijoada
Ossos, quem dera tê-los!

Ou... isso, Repúblika
Aquela do Prákistão...
Ainda ca dos Kágados
Tambem fizesse vistão.

Ou Manga, ou Sereia,
Ou Jardim do Tritão.
Ou mais que venha à ideia,
Mas yodleri?... Não!...

Anónimo
publicado por poesiaemrede às 23:53
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

(73) Saudades de ti

Saudades de ti

Molhada és tu, pelas águas do Atlântico,
donde, ao findar a tarde, tens um pôr-do-sol exuberante.
Mãe de poetas que te versam em lindos cãnticos,
e, não te esquecem, mesmo em terra tão distante.

Orgulho puro de quem nasceu de tuas entranhas,
por ver-te forte, mesmo ferida por batalhas.
Sobrevivente da ambição do homem, tão estranha,
que te feriu como corte de navalha.

Em cada esquina de tuas ruas há magia.
E nos teus largos, vês nascer novos amores.
Mavioso encanto e inspiração nas melodias...
És flor mais bela dentre todas outras flores.

Enamorado, apaixonado, te declaro:
que infinito é o que tenho ao coração.
Como poeta, nos meus versos deixo claro.
Todo o amor por ti: São Luis do Maranhão!



Autor(a): Sandra Cristina Silva Borges

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(72) Um dia na minha Terra

Um dia na minha Terra

 

Era pequena e sonhava,

Gostava de animais,

Da terra onde vivia,

Do ar puro,

Das flores,

De brincar,

Do sol que entrava na minha janela.

Era pequena  e sonhava .....

Mas o tempo foi passando,

A vida mudando,

Mas ainda continuo na minha casinha,

Pintada de branco e amarelo.

Tenho um quintal e tenho em redor as mais belas paisagens que se pode ter.

Não só o céu azul, o manto verde do campo e as flores,

Mas sim o encanto e a beleza  que  me ilumina todos os dias.

Talvez não esteja no sítio mais belo,

Mas encontro o silêncio e a felicidade.

Acordar de manhã e respirar um ar tão majestoso

É para mim a liberdade e um infindável bem estar.

Um dia na minha terra será perfeito quando conseguir pintar a beleza de uma paisagem

E será para sempre a mais bonita lembrança que tenho da minha aldeia.

 

 

 

 

 

 

 

                                                 Patrícia Caldeira

 

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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

(71) "Há coxas nuas a correr pela cidade."

“Há coxas nuas a correr pela cidade.”...

 

 

Há coxas nuas a correr pela cidade.

Ninguém repara nelas,

são coxas vulgares

umas de mulheres

outras de homens,

andando sozinhas, separadas de corpos e almas,

pelo Bairro Alto à noite,

pelas calçadas com pedras soltas,

pelas escadinhas escondidas atrás das esquinas,

pela minha casa e pela minha cama,

quando a penumbra abandona o seu silêncio azul

e lentamente nos murmuria

o caminho da pele.

 

São coxas simbólicas

lembranças de pequenos amores

e esquecimentos feitos de manhã

quando o corpo já expulsou os seus males

e do sexo terminado faz motivação luminosa.

 

Algum dia apanharei uma dessas coxas

e a juntarei a mim.

Aí poderei estar à frente do espelho

e encontrar-me naquele limiar

onde observo desfocadamente

o recanto já velho da minha surdez

e já não sei o que vejo:

se o teu cabelo

se o mar invadindo-me.

 

 

 

 

 

David Erlich
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(68) Arruda

Arruda

Vila perdida
naquele Vale Quente,
terra desconhecida
que não me sai da mente.
Fico eloquente,
não tenho saida.
Tenho que voltar
a essa terra perdida.
Lembro pensamentos,
trago as recordações,
os amigos esquecidos,
o fim das relações.
Ai, a vila perdida
a vila que não muda,
a terra esquecida
a vila de Arruda.

Miguel Fonseca Esteves
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

(66) "A Minha Terra"

"A minha terra"

Esta terra não é a minha terra.
Nenhuma terra é a minha terra.
Nenhum grão do que seja, de terra, de areia, do que seja, é terra que eu pise.
Eu não piso chão algum.
Eu não me movo, não me atrevo, nesta ou em qualquer terra.
Quantos anos somam as poeiras que me ferem a vista cansada?
As poeiras que me devoram entranhas e pele e os olhos feridos, esbatida a visão que me tolda numa rajada de vento vil e doentio.
A poeira traiçoeira que me devora e não me deixa pisar o chão, chão algum.
Me fere a vista cansada, me expulsa desta casa que não tenho, que não habito, como a terra, terra alguma, seja qual for.
Nenhuma terra é a minha terra.
Eu não vivo, nem respiro, não me movo, nem respiro, não existo, nem respiro.
Em terra alguma, eu não tenho terra, eu não a exijo, não a permito.
Esta, esta terra que não é minha.
Nem esta nem terra nenhuma.

Anónimo
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

(65) Terra de Portugal

Terra de Portugal

 

Brancas casas caiadas

Que ao sol brando de Outono

Se erguem, testemunhas do tempo,

De um passado sem retorno.

Suas fachadas imóveis

De centenárias vivências,

Seu ar inextirpável,

Sua misteriosa indeiscência,

Que segredos encerra

Desta minha bela terra.

Terra de terra

E da gente dela,

Que é sua alma.

Terra de vinhas,

De íngremes colinas

Terra de rios cintilando

E de lezírias ondeando.

Terra de invicto povo

Que os braços jamais cruzou.

Armado apenas de sua bravura

Cingido dela lutou.

 

Esta terra em que nasci,

A mesma onde morrerei,

Que amo de lés-a-lés,

A ela presa fiquei.

Esta minha terra amada

De gente simples e leal.

Esta terra abençoada

A que chamaram Portugal!

 

Inês Ribeiro

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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

(61) Reminiscências e Coisas Mais

 

REMINISCÊNCIAS E COISAS MAIS

 

 

Cobriu de cinzas minh’alma quando parti.

Na bagagem  sabor de jabuticabas,

 o mistério dos porões escuros,

 chiado dos  carros de boi na modorra do dia

domingos chuvosos

 lamento de flauta pela vidraça molhada.

Um sonoro badalar. De onde é o sino ?

É o das Dores, é o de Santo Antônio?

Sons de matraca no silêncio das ruas.

Catas abandonadas - morada da Mãe do Ouro

visão fantasmagórica nas noites de prata.

O canto do pássaro no galho

doces manhãs de neblina,cheiro de infância.

 

O trem engole  a serra.Último silvo

 ponto final de uma meninice dourada.

O tempo derrama a saudade

e molha o peito com água dos olhos.

Anna Ayres

 
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(60) Malanje, Minha Terra

MALANJE, MINHA TERRA

 

Malanje, minha Terra,

Malanje, minha Vida,

Malanje venceste a Guerra,

Mas tua  Palanca está ferida.

 

Malanje já recupera

deitada no planalto

e hoje cobre a sua terra

com Paz, Brita e Asfalto.

  

Malanje das cinzas renascida,

qual Fénix, ressuscitou

do  fogo, que a deu por vencida,

mas foi Ela que o queimou.

 

E como sempre, de mão estendida,

a todos já perdoou

e até à Queimada está agradecida,

pois foi quem  a regenerou.

 

Malanje pelo Mundo espalhada,

por via da Gente que partiu

e se viu "entornada", refugiada,

num país a Norte e frio.

   

Malanje da Gente que ficou,

porque não teve alternativa,

e na querra morreu, sofreu,…e amou,

lutou, venceu… a chama está Viva.

 

José Manuel da Cruz Vaz Jacinto
publicado por poesiaemrede às 02:11
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(59) São Fragâncias Únicas

são fragrâncias únicas as daquela cidade

pequena, aldeia grande, que tenho e tinha

que me pertence por não ser minha

eternamente nossa e somos só nós na verdade.

 

Alentejo cheio de sabores e desertificação

cidade perdida e achada no meio dos campos

com tantos cheiros e brilhos e encantos

com gente com vontade de emancipação.

 

é linda; é cercada com serra.

tem ruas e castelo e ruelas

e cheiros únicos escondidos em vielas

e gente…esta é a minha terra.

 

 

Ana Durão

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(58) "A Minha Terra"

“A minha terra”

 

 

 

A minha terra não é minha. É muito mais.
Nem sequer é nossa, exclusiva dos nossos tempos.
Antes de mim, a partir de um simples cais,
Já se aventurava, sem medo, pelos Descobrimentos.
 
A minha terra é mais do que os rios, as colinas,
Os campos, as montanhas ou as cidades
Onde crescemos, brincámos, conhecemos as meninas
E fizemos as primeiras amizades:
A minha terra é também a língua, o fado, as populações,
Os monumentos, a história, a cultura, as navegações!
 
Mesmo aquele genuíno sentimento
Que quando estou longe me abraça cá dentro
(Há quem lhe chame esperança, mas erra,
Porque não é esperança de verdade),
Não é meu, é da minha terra,
A pátria da saudade.
 
E para conhecê-la, basta viajar
Pelos sete mares e pelos sete ventos,
Para todos os lugares onde continuou a exportar
Os seus patrimónios e os seus talentos.
 
A minha terra é Portugal,
Cujas fronteiras se estendem pelo mundo inteiro.
Só falta acreditar, o sonho é real,
Só falta erguer-se o nevoeiro.

 

 

 

Filipe Miguel Costa

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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

(57) A Minha Terra

A minha Terra

 

 

Nem sempre regressar a casa,

Ao local onde nascemos,

È a melhor solução.

Existe todo um caminho de estrelas mortas,

De sombras, de fantasmas.

E eu sinto que estou na escuridão. Ao teu lado.

Não é preciso visitar-te.

Sei que estás lá. Aqui. Dentro de mim.

Sinto que levanto o peso dos anos.

Todos aqueles que preenchem o calendário.

Não me esqueces. Não te esqueço…

Sei que viverás muito para além dos meus dias.

Assim como o braço do barbeiro

Só está completo quando segura a navalha,

Tu és um prolongamento de mim.

 

 

Paulo Eduardo Campos

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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

(49) Praia das Pérolas Perdidas

Praia de pérolas perdidas
 
À meia noite de um dia sem céu naquela terra clara de mar
(Terra de amores perdidos, tragos esquecidos…
Terra onde o frio é trevas e o quente brilha na madrugada)
Vulto, sentado, fito o chão molhado
De areia de pérolas de carvão
Pedaços de um coração...
É aí que tu irrompes pela penumbra,
Sereia andante, de olhar flamejante...
Que naquela noite sai ao encontro
De uma palavra de louvor
Sentaste-te e pediste-me uma das minhas pérolas
Eu, hesitante e de olhares imprecisos,
Receios de trivialidades esquecidas
Perco mais uma lágrima sábia...
O silêncio.
Levantas-te ao som dos teus cabelos de prata
Fugidios, como tu
Então, o que resta de mim ainda te confessa,
Quase no ocaso de uma alma já incógnita
« todas as verdadeiras pérolas do mundo são para ti...»


Daniela Maia

 

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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

(46) No Vale dos meus Barris

" No Vale dos meus Barris"

Da criança que eu já fui
restam-me algumas lembranças...
Alguns sítios, brincadeiras.
No Vale dos meus Barris,
junto à Senhora da Escudeira,
no ermo da Capelinha,
palco de devotas tradições,
arraiais e procissões,
respira-se a sete pulmões,
alecrim e alfazema.
Lembranças da minha infância
de um verde prado a perder de vista.
No seio da natureza,
vi correr as cavalhadas
e dançei, desajeitadamente...
ao som de bailaricos populares.
Corri montes,
vi moleiros, vi moinhos
vi rebanhos e pastores
e flores de todas as cores,
das quais retenho, ainda, os odores.
Bebi água de puras fontes,
provei o mel em seus favos
e lambusei-me a regalo,
debutando o vestido domingueiro
comprado com pouco dinheiro,
com o vermelho silvestre das amoras.
Sei hoje que fui feliz
no Vale dos meus Barris.

Celeste

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(45) Uma Aldeia de Viseu

Uma Aldeia de Viseu

 

No Vale da Ribeira situada,

Ao pé da serra encostada…

 

Aldeia da minha infância,

Outrora, alegre e divertida…

As crianças brincavam pelas ruas,

Nas ceifas, as pessoas cantavam

E aos domingos pelos verdes caminhos,

Os namorados passeavam.

 

No Inverno, parece perdida no tempo.

Apenas o relógio da capela interrompe

O silêncio que percorre as ruas desertas,

Onde permanecem histórias passadas,

Entre as velhas casas de granito…

Há muito tempo abandonadas!

 

No Verão, os filhos estão de regresso.

À noite, olha-se as estrelas,

Ouvem-se os grilos e o tempo é infinito,

Mas tudo muda ao acordar…

O dia tem mais ritmo, mais vida,

Até se ouvem os passarinhos a cantar.

 

Como filha, é sempre bom voltar

Onde as pessoas me vêm logo abraçar,

Mas tanta tradição se perdeu…

“À Minha Terra de Viseu!”

 

 

Dina Rodrigues

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(44) Segredos Revelados

Segredos revelados

Essa terra guarda segredos
Eu sei, não os posso contar
Mas vejo espalhadas as pistas
Em confidências feitas sob o luar.

Os segredos dessa terra
São simples de adivinhar
Basta olhar em seu espelho
O rio que a pedra não pode quebrar.

Não é mais segredo nessa terra
As belezas que surpreendem o olhar
Essas sim são reveladas
E amparadas por São José de Macapá.


- Navi Leinad -

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(43) Saudades da Arrábida

                        “ SAUDADES

                        DA ARRÁBIDA “

                       

                Oh, sol!

Porque brilhas tão alto?

Diz-me! Preciso do teu calor,

Aquele que aquece o asfalto

Quando o verão é abrasador.

               Oh, sol! Sol da minha alma!

Vem p`ra perto e no degelo

Deixa correr minhas lágrimas

                        Com elas vai meu apelo.

                Oh, sol! Sol do meu cansaço!

Diz-me por onde passaste

E se acaso em teu abraço

A Arrábida encontraste.

               Oh, sol! Diz-me…

                        Mas entretanto,

Deixa-me eu a ti dizer

Desta saudade, este pranto

Que aos poucos me faz morrer.

                 Oh, sol! Fiel mensageiro!

Vai até àquela margem

Do mato, traz-me seu cheiro

Do rio Sado, a paisagem.

Busca na serra o verde

                        Que há tanto tempo não vejo

                Oh, sol! Se por lá passares,

Diz-lhe desta minha sede

E, depois, rega-a com um beijo.

Pois, se teus lábios fossem meus,

Beijá-la-ia… ( Meu Deus!)

Até matar meu desejo.

                                                   

                                            Maria Crispim

                                            1 de Junho 2007

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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

(42) A Representação do Mundo

A Representação do Mundo

Há uma marca especial
Que em toda a terra se regista
Teve origem em Portugal
E nos orgulha essa conquista!

Basta imaginar ou ver
Um mapa com todo o mundo
E nele se vai compreender
Este achado tão profundo:

Está ao centro localizado
Um honrado e belo país
Devemos por isso amá-lo!

O mundo é assim representado
Porque como a história diz
Fomos os primeiros a desenhá-lo!


salouro
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(41) Espécie de fuga do meu mundo exíguo

"espécie de fuga do meu mundo exíguo"
 

tardo em rebolar as altas paredes
que me cercam, e à volta tudo socumbe
no meu corpo ridiculamente pequeno.

consta do meu livro de versos

uma rua estreita atirada ao rubro
de um nós em perspectiva.
e isso fortalece-me.



e por isso
vou estando

como findo,
e (re)faço-me

uma outra vez,
e sempre,

sobre o mundo amplo
que nos acenda nos dias.


--
tiago dias

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Sábado, 26 de Janeiro de 2008

(40) Homossexualidade Urbana - Lisboa

Homossexualidade Urbana - Lisboa

 

Ela sente a vida

Absorve cada voz, cada choro, cada frémito vibrante

Desta cidade pecadora

Como uma fiel e antiga amante.

 

Sente tudo o que ela sente

Toda a dor, toda a tristeza

Sente as suas lágrimas quentes de princesa

Escondidas por detrás do sério semblante.
 

A cidade é ela, e ela é a cidade.

Mil facetas, mil personalidades, mil possibilidades de vida.

A cidade-boémia

A cidade-melancólica

A cidade-prática

A cidade-atrevida

A cidade-sonhadora…

São almas gémeas.

 

E ela deseja-a só para ela, mesmo que povoada de gente.

Quer ser parte dela, porque sabe que já é,

Embora ainda tenha o seu próprio corpo.

E jura que não mente.

 

Jura que partilhará a mágoa da cidade com a sua

Se é que ela ainda a sente.

De tanto amar a cidade, de querer fundir-se nela para sempre,

Já não sabe se sente tudo, se nada sente.

Só sabe que a ama, que a ama,

E que será dela eternamente.

 

Virgínia Vieira

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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

(39) Figueira que dá Rosas

Figueira que dá rosas

 

Terra onde o tempo acaba pelo amanhecer

Incandescente noite a dourar o sonho do pescador

A febre da vertigem do arbítrio

Lançada em damas de copas aladas

Que vão descendo até ao leito do Mondego

Se perdendo no azul gélido imenso.

Mas a maresia voa e pinta o céu de ouro

Em incandescente e festivo fogo santo

Paisagem bela sobre o embarcadouro

Onde no Verão escaldante a noite varre o quente

E a folia é esguia, cosmopolita e densa.

 

É preciso amar a praia das gaivotas dançantes

Sorver a aragem purificante sopro do Atlante

Presente de Vénus, perfume inebriante.

E então dormir ao luar dourado e triste

Sob pérolas suaves na noite estrelada

Contemplar a mais bela rosa, doce, rubra, encantada

Qual sereia apaixonada que, sorrindo, em terra persiste.

 

Autor: Rodriguez

(blog: thisblackheart.blogspot.com)

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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

(38) Terra Minha: O Dia Depois de Amanhã

Terra minha: o dia depois de amanhã

 

Empréstimo de espaço poético

abrupto pelo trabalho 24 h.

A poesia-inconformada

pede um tempo

para poder respirar e existir.

 

O mercado pede progresso;

a poesia pede silêncio.

Paciência de tambores-nativos,

seitas e rituais empurram

o futuro in-vitro para depois.

 

Incansável mundo clichê

conta as horas perdidas em filas

de bancos, hospitais e sinaleiras.

Os corpos cansados

tentam voltar ao mar.

 

Bocas catatônicas

dizem algo via dígitos internáuticos

em túmulos verticais.

A esperança habita ateliês de tatuagem

de crianças selvagens

após o desgelo polar.

                                                   

Como uma profecia,

ou mito,

acima do mar

vida (humana)

apenas a partir do 13ºandar.

 

Fontão Neto

 
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

(37) Portugal

Portugal 

 

Óh verde e doce país

Meu suave e gentil companheiro

Mundo de gente feliz

E mundo de pouco dinheiro.

 

País de Luís de Camões

Pessoa, Bocage ou Henriques

Lugar de corações

Planícies de famosos requintes.

 

Tens virtude mediana e calma

E a passos de caracol vais crescendo

E possuis a maior alma

Desta Europa que te vai perdendo.

 

Possuis veias de rios navegantes

Onde naus partiram para a descoberta

És país de impérios magníficos

E Impérios de memória incerta.

 

Doce local de pequeno porte

Onde todos tentam esquecer

Esta politica forte

De ansiar pelo poder.

 

Oh minha terra e meu paraíso

Minha doce terra Natal

Eu grito num fôlego conciso

Que a ti te amo... meu Portugal.

 

Rui Pedro Sousa
publicado por poesiaemrede às 23:59
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

(36) No Caminho que Possua o Coração

"A luz, 
em pé, 
de sentido forte,
e por baixo,
pois o Amor rodeia tudo e em todas as direcções,
forte como uma àrvore,
de raizes bem profundas,
e que da terra nasce, se alimenta e cresce,
espalha o espírito aberto a escutar o vento,
a luz da salvação,
da cura sem medos.
Assim na minha terra,
hei de caminhar sempre no caminho que possua coração."

 


JoséTafé

publicado por poesiaemrede às 00:47
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(35) Cor de Canela

Cor de Canela

 

Vou pelo calor e deserto

com sede de abraços.

Vou por África,

descobrir o planeta

porque o mundo descobriu-a

Enfeitada de laços.

 

Cá estou eu, vendo-a

nas minhas mãos, entre

Fontes e cascatas

entre sorrisos e desgraças.

 

Terra vermelha cor de canela,

Sabor a pimenta

com tacto de seda.

Marfim do meu passado,

Aqui te vejo acorrentada.

 

E solto-te para anjos coloridos

Sem desprezo de sustenidos

E sabores maneados.

 

Vejo teus filhos, gloriados

Aqui à chuva do sucesso

E daqui mando-te beijos,

Minha terra vermelha

Linda cor de canela.

 

Avril K. Moneträux

publicado por poesiaemrede às 00:43
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(33) Praia Deserta

Praia Deserta

Madalena d'olhos cinza e prata
voltemos hoje à praia
nossa cama já ondula na maré
como'a bainha da tua saia.

Enterra teus dedos descalços Madalena,
podemos dançar parados
lá fora o mundo viu-te, e gira sozinho
sobre teus beijos acumulados.

Este vento nostálgico imita-me,
rebela a nortada feia
parece que quer rebolar dez-mil ondas
como teus caracóis na areia.

Onde t'ergues oh Castelo, num Moledo deserto
De onde o mar nos quer levar,
agachados no areal sempre curto
somos gaivotas prontas a descolar.

- Ayeye Bradzorff


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Sábado, 19 de Janeiro de 2008

(32) Por Tua Tez, Os Meus Passos

Por Tua Tez, Os Meus Passos

 

Ao que me serve o olho

Aponto a tua  alvorada

Revelo o tom da certeza

Dos verdes mares deixados

Na terra que chamo de amor

Por onde canta teus pássaros

No entardecer das vontades

Meu povo expressa o cenário

“Nordeste” semente e calor

Deveras parte da vida

Tão luso, quanto riquesa

Berço de minhas conquistas

É neste poema saudades

Que me recordo teus dias

Porque te amei de verdade

Enquanto criança eu vivia

E hoje distante de ti

Já não conheço alegrias

Me deixe morrer em teus braços

Ó minha terra querida

 

Sao Paulo – 18 janeiro 2008.

Fernando Costa
publicado por poesiaemrede às 01:33
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(31) Porto Meu

porto meu


são quentes teus abraços
da cor do vinho sabor de mel
excelentes fotografias como mulheres bonitas
de um céu azul sem dor

de ti se vê o mar
e quando do mar se te avista
deslumbran-se os olhos e a alma
e encalha-se em banco de areia
como rebento agarrado ao seio
sugando o leite morno e arrebatador
de um começo de vida até aí desconhecida

quando o vento por ti passa
e segreda baixinho ao ouvido
passagens por outras camas
roliços por outros montes
tuas pedras quais almofadas reviras
e pousas teus sonhos
porque nenhuma é tão sublime
como de maravilha é feito teu chão

bebemos da água que virados para o mar
corre pela tua esquerda em mansa paz
sossegamos aflições em fim de tarde
sob luzes mirabolantes e perfeitas
sob os holofotes da tua magnificência
e respiramos cada canto teu
na certeza de que a tua aura é sempre maior
na relação do amor com as outras coisas do mundo

                               de sousa
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

(29) Alpalhão

Alpalhão
 
Oh Alpalhão terra de valor
Tens o explendor tens o povo em festa
Em cada canto nasce uma flor
Não deve haver terra como esta
As raparigas todas briosas
Não só vaidosas sabem cantar
Oh terra linda não ha igual
És a mais bela de Portugal
Oh terra linda não ha igual
És a mais bela de Portugal
 
 
Tina
publicado por poesiaemrede às 00:47
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

(28) "A Minha Terra"

"A minha terra"
 
Do lado de lá (da ponte)

O que há?

 

Casas e torres

Carros e buzinas

E hortas atrás das casas

E bairros atrás das estradas

E becos para lá das esquinas

E bermas para lá das couves

 

Do lado de lá há uma terra

Como a minha, mas maiorzinha

 

Do lado de cá posso vê-la

Do lado de lá esquecê-la

(e lembro-me desta)
 

Rita
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Sábado, 12 de Janeiro de 2008

(27) Cheira a Nostalgia

Cheira a nostalgia,
Caminho audazmente pelos recantos desta terra
Que transborda e remete para uma rica história:
Um tempo de conquista e glória. 
 
Penetro na quietude da natureza
Conforto-me com presenças que conferem a sensação de familiaridade 
Elementos que abrilhantam esta pérola de díspar beleza
Num instante que extravasa intimidade.
 
Ah, como é admirável deixar-se abarcar pela natureza no seu 
fulgor
Adivinhar-se ténue perante uma terra tão grandiosa
Sentir o fado ecoar quase num clamor   
Erguendo uma vivência admiravelmente harmoniosa.
 
Cada lugar irrompe um fragmento de memória
Em cada memória está semeado o gérmen de uma nação
Todos os povos num espaço e tempo constroem a sua história 
Contribuindo para a concretização do tão aclamado espírito de união. 
 
Cláudia Nóbrega
publicado por poesiaemrede às 00:26
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(26) Casa de Solidão

Casa de Solidão

 

Neste lugar de esperança inacabada,

Ergui meu templo de vaga paixão

E, neste império de desolação,

Fiz da noite minha eterna morada.

 

Esta é a minha terra, a minha estrada,

Meu refúgio de eterna escuridão,

Santuário de silêncio e solidão,

Onde minha alma dorme, abandonada.

 

Neste recanto de sombras e amor,

Senti carinho e ódio, paz e dor,

E de mim fiz um destino diferente.

 

Hoje, o meu templo jaz arruinado,

Mas, mesmo assim, é o meu lugar sagrado,

Porque, aqui, serei eu eternamente!

 

Carla Ribeiro

publicado por poesiaemrede às 00:23
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(25) Ilha do Cerrado

ILHA NO CERRADO

 

Ô magnífica ilha magnetizada

de concreto,

com tuas arquiteturas abissais,

abstratas...

És símbolo de um País!

És o seio de todos!

Miscigenação incrustada

em tuas entranhas.

Nascestes imponente,

planejada.

Como mãe zelosa

acolhes e abrigas à todos

em teu colo.

A tua dualidade entre

o cimento arquitetônico

e o cerrado

te fazem única.

Esfera de decisões, que designam

o caminho da tua nação.

Nascestes avião,

com teu corpo central e tuas asas,

uma ao norte, outra ao sul.

Ô minha terra,

amada mãe gentil,

Brasília, dos rabiscos à realidade:

capital do meu Brasil!

 

 

Autora: Fernanda Silva Borges

publicado por poesiaemrede às 00:19
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

(22) À Minha Terra

À minha terra

Basalto na fileira de ternura,
Rumando nas pedrinhas da calçada,
Talhando de amor a pedra dura
Da rua onde mora a minha amada.

Calcetei a minha vida insegura
Que de novo se viu coroada,
Fugindo ao abalo da desventura
Voltei à minha cidade restaurada.

Moldo a rua na valsa das raízes...
Decoro o cinzelado dos meus passos
Que escureceram [ruínas do sismo].

E do céu caem lágrimas felizes,
Cantando na certeza dos meus laços
À cidade de Angra do Heroísmo!

Freddy Freitas

publicado por poesiaemrede às 00:47
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